

As infecções ósseas e/ou articulares podem levar a quadros de sequela grave se o tratamento inicial realizado for iniciado tardiamente, inadequado ou insuficiente para combater a infecção. O quadro clínico mais comum após infecções osteoarticulares é a sarcopenia (diminuição da massa muscular) e osteopenia (diminuição da massa óssea) pelo desuso do membro acometido. O tratamento vai desde reabilitação fisioterápica com medidas de ganho de mobilidade articular quanto de ganho de massa muscular e tratamento de possível distúrbio osteometabólico.
Uma outra sequela de infecções nas articulações é a rigidez (diminuição da mobilidade articular). O tratamento envolve reabilitação fisioterápica e em alguns casos tratamento cirúrgico com liberação das aderências articulares decorrentes da infecção. As liberações podem ser realizadas com cirurgias abertas ou com técnicas artroscópica. Outra sequela que pode ocorrer pós infecção articular é a condrólise (destruição da cartilagem) da articulação levando a um quadro de artrose (desgaste da articulação) pós-infecciosa. Esta é uma condição clínica grave especial especialmente em pacientes jovens devido a grande limitação funcional.
Em pacientes pediátricos uma possível sequela pós-infecciosa grave é a necrose óssea, devido ao acometimento da extremidade óssea e da cartilagem de crescimento promovendo um crescimento anormal do osso. Este crescimento anormal pode gerar um encurtamento do membro ou uma deformidade angular grave dependendo do grau de acometimento da superfície articular e do osso e da idade em que ocorreu a infecção. O tratamento cirúrgico das sequelas pós-infecciosas é personalizado dependendo do acometimento ósseo, cartilaginoso e ligamentar, da idade do paciente, do grau de deformidade óssea e articular e se há infecção em atividade ou não. Portanto são tratamentos individualizados que visam a melhora clínica, funcional e retorno do bem-estar do paciente exigindo uma equipe multiprofissional que atenda todas as demandas do paciente.

Figura: Paciente portador de sequela após artrite séptica apresentado lesão na extremidade distal do fêmur e proximal da tíbia do lado direito e esquerdo com condrólise grave da cartilagem articular com rigidez do joelho em flexão.
Referências:
Dror Paley, Principles of Deformity Correction, 3rd Edition, 2005, Springer-Verlag ISBN: 354042665X.