A fratura do planalto tibial representa uma lesão articular séria do joelho, envolvendo a extremidade proximal da tíbia que suporta a cartilagem articular. Sua epidemiologia exibe uma distribuição bimodal característica relacionada à idade. Pacientes mais jovens, tipicamente homens, sofrem essas fraturas devido a traumas de alta energia, como acidentes automobilísticos ou quedas de altura. Já em pacientes idosos, principalmente mulheres com osteoporose, o trauma é frequentemente de baixa energia, como uma simples queda ao nível do solo. Essa distinção etária é crucial, pois influencia o padrão de fratura e as lesões associadas. A fratura do planalto tibial tem uma prevalência significativa, representando cerca de 1% de todas as fraturas e 8% das fraturas em idosos.
Traumas de alta energia elevam o risco de fraturas expostas, que são aquelas com comunicação da lesão óssea com o ambiente externo. Nessas fraturas, o planalto tibial pode sofrer danos substanciais, muitas vezes resultando em grandes perdas ósseas ou na formação de defeitos ósseos. Os tipos de fraturas que frequentemente apresentam perda óssea significativa incluem as fraturas por depressão pura e as fraturas complexas e bicondilares (classificações Schatzker tipos V e VI). A perda de substância óssea, a lesão de partes moles e o alto risco de infecção associado à exposição tornam a reconstrução dessas lesões particularmente desafiadora. O manejo inicial e definitivo deve visar a estabilidade, a redução articular e a prevenção de complicações.
Uma preocupação central no tratamento da fratura do planalto tibial é a prevenção de sequelas a longo prazo, sendo a deformidade angular (joelho varo ou valgo) e a incongruência articular as mais importantes. A instabilidade e a má consolidação podem levar à osteoartrite precoce do joelho. O tratamento cirúrgico é frequentemente necessário para restaurar a anatomia articular e o alinhamento do membro. Em casos de traumas de alta energia, fraturas expostas, ou lesões graves de partes moles, o uso de fixadores externos pode ser o tratamento de escolha, permitindo o controle de danos, a estabilização e a cicatrização dos tecidos moles antes da fixação definitiva. Esses dispositivos circulares, proporcionando estabilidade enquanto se monitora o estado vascular e de tecidos moles do membro.
O prognóstico da fratura do planalto tibial depende de múltiplos fatores, incluindo a gravidade da lesão, o estado vascular, a presença de lesões associadas (ligamentares ou meniscais), a qualidade da redução anatômica e a fixação. Embora o objetivo seja o retorno à função normal do joelho, muitos pacientes experimentarão algum grau de rigidez, dor ou limitação funcional. A restauração anatômica da superfície articular é o principal preditor de um bom resultado, minimizando o risco de osteoartrite pós-traumática. A reabilitação é uma fase crítica, com o tempo de recuperação variando de meses a mais de um ano, sendo essencial para maximizar a amplitude de movimento e a força. A atenção a todos esses detalhes é vital para otimizar o resultado funcional e a qualidade de vida do paciente.
Referência:
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