A fratura da patela (rótula) é uma lesão comum, representando cerca de 1% das fraturas esqueléticas. Sua epidemiologia exibe uma distribuição bimodal em relação à idade. O primeiro pico de incidência ocorre em pacientes jovens e ativos, geralmente devido a trauma de alta energia, como acidentes automobilísticos ou quedas de altura. O segundo pico é observado em indivíduos idosos, onde a fratura decorre frequentemente de trauma de baixa energia, como quedas simples ao nível do chão, em um contexto de osteoporose e fraqueza muscular. A patela é a única inserção óssea do mecanismo extensor do joelho, e sua fratura compromete gravemente a capacidade de extensão da perna, essencial para a marcha. A classificação das fraturas é importante, e tipos como a fratura cominutiva ou as fraturas por avulsão do polo podem estar associadas à perda óssea significativa, tornando a reconstrução mais desafiadora.
Em casos de trauma de alta energia, a fratura da patela pode estar associada a lesões graves, incluindo fraturas expostas, onde há comunicação do foco da fratura com o meio externo. Isso aumenta substancialmente o risco de infecção, exigindo desbridamento e antibioticoterapia urgentes. A perda de substância óssea, especialmente nas fraturas cominutivas graves ou após ressecção de fragmentos inviáveis, pode levar a um encurtamento do mecanismo extensor. Tais lesões, se não tratadas adequadamente, podem resultar em sequelas importantes, como a deformidade angular (ex: joelho valgo ou varo) e, mais comumente, a patela baixa, que limita a amplitude de movimento e causa dor crônica. O tratamento, em situações complexas, pode incluir o uso de fixadores externos temporários para estabilização inicial ou, mais raramente, definitivos, especialmente em fraturas expostas com grande lesão de partes moles.
O prognóstico da fratura da patela depende fundamentalmente do tipo de fratura, da energia do trauma, da qualidade da redução e da estabilidade da fixação cirúrgica. O objetivo principal do tratamento, que na maioria dos casos deslocados é cirúrgico (osteossíntese, como a banda de tensão), é restaurar a superfície articular e a continuidade do mecanismo extensor. Embora a consolidação óssea seja geralmente alcançada, a complicação mais comum é a rigidez do joelho e a artrose pós-traumática a longo prazo, devido ao dano da cartilagem articular. O prognóstico para o retorno à função plena é, no entanto, geralmente bom, contanto que uma reabilitação intensa e prolongada seja seguida. Em casos de perda óssea ou grandes defeitos, a reconstrução pode necessitar de enxerto ósseo ou procedimentos de salvamento.
Referências:
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