

As deformidades angulares dos membros ocorrem devido a doenças congênitas, alterações do desenvolvimento ósseo, doenças osteometabólicas ou devido a sequelas pós-traumáticas.
A deformidade angular mais comum nos membros inferiores é a deformidade no joelho. Alterações discretas da angulação dos joelhos são normais na população em geral. De acordo com a angulação dos joelhos podemos determinar se o joelho é varo (joelhos se afastam um do outro) ou se é valgo (quando os joelhos se aproximam).
A doença de Blount é uma condição clínica que acomete crianças e adolescentes com alteração da cartilagem de crescimento da região da tíbia próxima ao joelho. Isto leva ao crescimento assimétrico da metade medial comparada a metade lateral da cartilagem de crescimento da tíbia gerando um desvio no crescimento da região proximal com uma deformidade em varo do joelho. Deformidade grave em varo do joelho leva a uma distribuição desigual da carga o que pode predispor a alterações mecânicas nos membros inferiores, sobrecarga articular, lesões meniscais e de desgaste da articulação precoces.
Em pacientes pediátricos uma possível sequela pós-infecciosa grave é a necrose óssea, devido ao acometimento da extremidade óssea e da cartilagem de crescimento promovendo um crescimento anormal do osso. Este crescimento anormal pode gerar uma deformidade angular grave dependendo do grau de acometimento da superfície articular e do osso e da idade em que ocorreu a infecção.
As sequelas pós-traumáticas podem ocorrer após fraturas articulares graves, fraturas expostas com falhas ósseas, perda da redução das fraturas com deformidade angular do membro, ausência de consolidação das fraturas que com o passar do tempo geram deformidade angulares devido a ação muscular ou ao apoio do membro inferior. Além disto devido a dissipação da energia do trauma pode ocorrer lesões que geram deformidades angulares associados ou não a instabilidades articulares.
O tratamento cirúrgico das deformidades angulares dos membros é personalizado dependendo do acometimento ósseo, cartilaginoso e ligamentar, da idade do paciente, do grau de deformidade óssea e articular e se há infecção relacionada ou não. Portanto são tratamentos individualizados que visam a melhora clínica, funcional e retorno do bem-estar do paciente exigindo uma equipe multiprofissional que atenda todas as demandas do paciente.

Figura 1: Os tipos de deformidade dos membros inferiores.

Figura 2: Radiografia panorâmica dos membros inferiores de paciente portador de deformidade grave em valgo no joelho direito

Figura 3: Radiografia panorâmica dos membros inferiores de paciente portador de deformidade grave em varo do fêmur direito e esquerdo
Referência:
Insall & Scott, Surgery of the Knee, 6th Editon, 2017, Elsevier ISBN: 9780323400466.
Dror Paley, Principles of Deformity Correction, 3rd Edition, 2005, Springer-Verlag ISBN: 354042665X.