

O encurtamento dos membros inferiores pode ser causado por diversas condições clínicas com por exemplo lesões traumáticas ou infecciosas da cartilagem de crescimento do fêmur ou da tíbia, doenças congênitas como defeito congênito femoral, deficiência congênita da tíbia ou fíbula (hemimelia tíbial ou fibular), pseudoartrose congênita da tíbia.
Em pacientes pediátricos devido a lesão da cartilagem de crescimento por infecção óssea, fratura ou a tumor ósseo, o crescimento longitudinal do membro pode ser afetado levando a um quadro de diminuição na taxa de crescimento comparado ao lado contralateral. Isto leva a um crescimento menor do membro afetado comparado ao outro lado levando a um encurtamento do membro. Quanto mais precoce ocorre a lesão na cartilagem de crescimento na criança, maior será a diferença entre os membros no final da fase de crescimento. Além disto lesões parciais na cartilagem de crescimento podem gerar deformidades angulares devido ao crescimento maior de uma parte em detrimento da outra (Vide Deformidades Angulares dos Membros Inferiores).
A pseudoartrose congênita da tíbia é uma doença rara que acomete a parte média e distal da tíbia levando a uma angulação e a fratura patológica. A pseudoartrose pode estar presente ao nascimento ou pode ocorrer após a piora progressiva da angulação seguida de fratura quando a criança começa a caminhar podendo ocorrer nos primeiros 4 a 5 anos de idade.
As condições de doenças congênitas dos membros inferiores são raras. O diagnóstico é feito habitualmente antes do parto e a criança já nasce com esta alteração. As mais comuns são as deficiências congênitas do fêmur, fíbula e tíbia na ordem de prevalência na população, com várias formas de apresentação clínica. O encurtamento do membro vai depender do local acometido do osso e sua formação. Algumas outras malformações podem estar associadas.
O tratamento é individualizado para reconstrução do membro e realizar o alongamento necessário visando a melhora clínica, funcional e retorno do bem-estar do paciente exigindo uma equipe multiprofissional que atenda todas as demandas do paciente.

Figura 1: Radiografias da perna de uma criança mostrando pseudoartrose congênita da tíbia antes do tratamento cirúrgico

Figura 2: Radiografias da perna de uma pessoa adulta mostrando consolidação de uma pseudoartrose congênita da tíbia com sequela com deformidade angula.
Referência:
Paley D. Congenital Pseudoarthrosis of the tíbia. Current Progress in Orthopedics, Hayle medical; 317-348, 2019. ISBN 978-1632417138
Dror Paley, Principles of Deformity Correction, 3rd Edition, Springer-Verlag, 2005. ISBN: 354042665X.